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Com reforma trabalhista, supermercado do RJ corta bônus e salário dos funcionários cai pela metade

Com reforma trabalhista, supermercado do RJ corta bônus e salário dos funcionários cai pela metade


Com reforma trabalhista, supermercado do RJ corta bônus e salário dos funcionários cai pela metade

Quando o contracheque chegou ao final de outubro, Jefferson da Silva Garcia, 33, tomou um susto: seus rendimentos haviam caído pela metade. Ele trabalha como locutor da rede de supermercados Mundial, que tem 18 lojas no Rio de Janeiro e emprega mais de 9.000 funcionários.

Em média eu recebo R$ 2.200, mas, no fim do mês, veio R$ 1.100. Jefferson da Silva Garcia, locutor.

A redução salarial atingiu outros empregados e levou a uma paralisação momentânea no começo de novembro. Trabalhadores, sindicato e a empresa estão em negociação, e os funcionários ameaçam entrar em greve na próxima terça-feira (5).

"Não tenho medo de represálias. Não há líder aqui. Trabalho no Mundial há 15 anos, tenho uma vida aqui. Só quero meus direitos", declarou Garcia.

A empresa nega que o salário tenha caído pela metade e diz que deu um reajuste de 5%, acima dos 4% acordados com o sindicato da categoria.

Por que houve os cortes?

A rede havia cortado o pagamento do adicional de 100% sobre as horas trabalhadas aos domingos e feriados e reduzido as horas-extras a que os funcionários tinham direito em contrato, de duas para uma.

A mudança no pagamento aconteceu por causa de um decreto de agosto, assinado pelo presidente Michel Temer, que passou a considerar os supermercados como uma atividade essencial da economia. Na prática, significa que as lojas podem abrir normalmente em horários especiais, como domingos e feriados. Embora isso já aconteça em muitas cidades, em outras era negociado por intermédio de sindicatos, pleitos trabalhistas e legislações locais.

Em vez do adicional, um vale-compras de R$ 30,00 -

A rede de supermercados Mundial declarou à reportagem que a questão dos feriados --cujo salário do dia trabalhado foi substituído por uma ajuda de custo fixa de R$ 30, pago por meio de um vale-compras que só pode ser usado na própria rede-- foi fruto de uma negociação feita com o próprio sindicato.

Questionado, o representante legal do Sindicato dos Comerciários do Rio disse que a medida foi uma concessão feita porque funcionários de supermercado já haviam perdido seus pagamentos relativos a domingos e feriados. O motivo: a convenção coletiva da categoria não havia sido assinada.

Para o advogado trabalhista Álvaro Quintão, reduzir a remuneração dos trabalhadores não é correto. "Na atividade essencial, o domingo é considerado um dia útil, e o que o decreto fez foi isso: permitir a abertura sem submeter essa atividade à burocracia regional ou acordos com sindicatos. O decreto é tão e somente para isso e não fala nada sobre salários dos trabalhadores."

"Me parece uma interpretação casuística e oportunista: uma vez que domingo é dia útil na atividade essencial, o supermercado achou que poderia reduzir a remuneração. Mas, na minha interpretação, isso não está correto", disse. Ele atende trabalhadores da aviação e aeroportos, outra atividade considerada essencial.

Avanço nas negociações -

Sob pressão, a empresa decidiu voltar a pagar o adicional para quem trabalhar aos domingos, mas não em feriados. Outra mudança acordada foi reintegrar os trabalhadores demitidos em retaliação aos protestos das últimas semanas.

Em assembleia nesta semana, os empregados decidiram manter três reivindicações, segundo o Sindicato dos Comerciários do Rio (SECRJ), que vem acompanhando as negociações:

- pagamento do adicional de 100% sobre as horas trabalhadas nos feriados;

- participação nos lucros e resultados;

- e plano de cargos e salários.

RTVBrasil com informações do P. Brasil.


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