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Duvivier: Viva o país em que o topless é proibido, mas a ejaculação no ônibus é tolerada.

Duvivier: Viva o país em que o topless é proibido, mas a ejaculação no ônibus é tolerada.


Duvivier: Viva o país em que o topless é proibido, mas a ejaculação no ônibus é tolerada.

O ator e escritor Gregório Duvivier usou da ironia para criticar o avanço do conservadorismo e a hipocrisia que toma do País. Em artigo nesta segunda-feira, 2, na Folha de S. Paulo, Duvivier lembrou a polêmica em torno da intervenção no 5° Panorama da Arte Brasileira, realizado no Museu de Arte Moderna de São Paulo, um homem ficou nu enquanto era observado e tocado pela plateia, inclusive crianças.

"A cena em questão é tão erótica quanto o teto da Capela Sistina (em que Adão, vale lembrar, estava pelado) ou aquela cena do 'E.T.' em que a criança toca no dedo do extraterrestre (em que Adão, vale lembrar, estava pelado, vestindo apenas um cachecol). Deve ter gente que vê erotismo nisso. E deve ter gente que vê, inclusive, na extremidade vermelha do dedo do E.T. um símbolo fálico. Mas o problema é delas, e não do E.T.. O tesão é de quem vê. O mesmo vale para quem se escandaliza com o seio de uma mãe que amamenta. Isso é coisa de gente muito tarada. Por acaso, o Brasil tá cheio delas", diz Duvivier.

"Viva o país em que o topless é proibido, mas a ejaculação no ônibus é tolerada. Um país em que uma exposição dita profana é cancelada, mas o mandato do Aécio segue firme e forte. O país em que o professor não pode ter partido, mas pode ter igreja, e fazer propaganda da igreja, mesmo na escola pública", critica o escritor.

Duvivier afirma que o brasileiro tem orgulho de dizer que adora crianças. "Não sei de quais crianças a gente tá falando. Seis milhões de crianças no Brasil vivem em situação de extrema pobreza -muitas delas na rua. Ninguém parece tão chocado quanto com a exposição do MAM. Talvez essas crianças precisassem assistir a uma nudez indevida, talvez precisassem tocar no pé de um artista nu. Aí, sim, o Brasil ia rodar a baiana. 'Miséria, desnutrição, analfabetismo, vá lá. O importante é que essa criançada não veja um pinto!'", diz.

RTVBrasil com informações da Folha de S.Paulo e 247.


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