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ACIMA DE TUDO RUBRO-NEGRO - Uma verdadeira história de raça, amor e paixão

ACIMA DE TUDO RUBRO-NEGRO - Uma verdadeira história de raça, amor e paixão

por Wellington Nery

Vários amigos dizem ser Flamengo desde criancinha, mas eu sou Rubro-Negro antes mesmo de nascer. Explico: meu pai, Dilton Andrade Nery, aos 16 anos de idade deixou sua terra natal com o sonho de jogar futebol profissionalmente pelo Mengão. Quando criança, com o entusiasmo de um apaixonado, ele me narrava aquela que fora uma verdadeira saga em sua vida.

Nascido em Ipiaú, meu pai desde pirralho acompanhava os craques do Flamengo pelas ondas sonoras das rádios Globo e Tupi. Não raro, cabulava aula e corria todo serelepe para o Maracanã da Lama, campinho improvisado montado às margens do Rio das Contas que fora em priscos tempos palco dos clássicos futebolísticos imaginários da meninada de Ipiaú.

E não é que o Gazo tinha jeito com a pelota no pé! Todos queriam o garoto pinga-fogo no seu baba e assim o sonho de ganhar o mundo vestindo o manto sagrado crescia no pirralho apaixonado pelo time mais querido do Brasil. Em 1959, meu pai deixou Ipiaú e pegou a recém aberta estrada Rio – Bahia. Estrada modo de dizer. Era praticamente uma rota de poeira e lama. Quando o sol tava a pino, tome poeira vermelha e quando chovia, sobrava lama para todos os lados. E assim seguiu ele rumo à cidade maravilhosa em busca do sonho de jogar profissionalmente pelo Flamengo.

No Rio de Janeiro, meu pai chegou a treinar pelo juvenil do Flamengo, mas baianinho, como ficou conhecido na então capital do Estado da Guanabara, era mesmo um corisco e os encantos e caprichos das areias e calçadas de Copacabana deixavam o jovem com pinta de galã inebriado... O Rio de Janeiro continua lindo... O Rio de Janeiro continua sendo... Uma tentação!

E o jovem baianinho tinha carne fraca e alma errante. Saiu do juvenil do Flamengo e foi parar no time do Olaria aonde chegou a jogar amadoramente, mas minissaias e contusões o tiraram a oportunidade de torna-se profissional no futebol. Na cidade maravilhosa meu pai abriu mão de um sonho para viver uma realidade fantástica.

De lá só voltou para a Bahia, mas precisamente para Jequié, por causa da condição de saúde do meu avô que a época recomendava cuidados, trazendo no peito a paixão Rubro-Negra. Na Cidade Sol o galante “James” Dilton cantava e encantava com sua lábia carioca e seu gingado baiano as mocinhas de família amantes da Jovem Guarda.

Só que ao topar com a ruiva mais formosa do pedaço, o malandro arriou os quatro pneus e o estepe. Mas para namorar a jovem intelectualizada Ivone Gonçalves Nery, só com compromisso sério. E não é que deu casório! E pronto: olha eu aí. O primogênito de uma família com certeza Rubro-Negra. Nasci vestindo o manto sagrado, respeitando e amando o pavilhão da maior torcida no mundo.

Se não bastassem à história (e estórias) de amor de meu pai pelo Rio de Janeiro e pelo Flamengo, minha vida de torcedor apaixonado pelo time mais querido do Brasil e de maior torcida no mundo se confunde com a história de sucesso de Arthur Antunes Coimbra no futebol profissional do Clube de Regatas Flamengo, nosso querido Mengão!

Ídolo maior rubro negro, Zico, é, sem dúvida alguma, o maior jogador da história do Flamengo, onde atuou entre 1967-1983 e 1985-1989, sendo o artífice de nossas principais conquistas (de 1983 a 1985 o galinho jogou na Itália, pela Udinese). Jogava e muito na meia cancha do Mengão, honrando como ninguém mais honrou, e quiçá honrará, a 10 do manto sagrado. Foram 731 jogos e 508 gols (recordista na história do Flamengo).

Zico ganhou tudo pelo Mengão: Campeonato Quadrangular Infantil, 1969; Campeonato Carioca Infantil, 1969; Campeonato Carioca Juvenil, 1972; Torneio de Goiás, 1975; Torneio de Jundiaí, 1975; Torneio de Mato Grosso, 1976; Troféu Ramón de Carranza, 1979 e 80; Troféu Ciudad de Santander, 1980; Torneio de Nápoles, 1981; Taça Euzébio de Andrade, 1987; Copa Kirin, 1988; Troféu Colombino, 1988; Torneio de Hamburgo, 1989; Taça Rio de Janeiro, 1986; Taça Guanabara, 1972, 73, 78, 79, 80, 81, 82, 88 e 89; Campeonato Carioca,1972, 74, 78, 79 (Especial), 81 e 86; Campeonato Brasileiro, 1980, 82, 83,87; Copa Libertadores da América, 1981 e, é claro, o maior de todos: Campeonato Mundial de Clubes, 1981. Ufa! O galinho é ou não é nosso maior ídolo!?!

Nascido em 1975, tive o privilégio de acompanhar ao lado de meu pai e de meu irmão, Pablo Ian Gonçalves Nery, a melhor fase que um time de futebol no mundo viveu. De lá para cá esse amor só aumenta e arremata mais e mais corações apaixonados. Meu amado filho João Pedro Alves Nery desde o ventre de sua mãe segue a tradição familiar: é um Rubro-Negro com muita raça, amor e paixão.

Por isso, ora reafirmo minha incondicional paixão pelo Flamengo ao de peito aberto cantar aos quatro cantos do planeta: ô meu Mengão eu gosto de você! E quero cantar para o mundo inteiro o orgulho de ser Rubro-Negro! Conte comigo Mengão! Acima de tudo Rubro-Negro! Conte comigo Mengão! Acima de tudo Rubro-Negro!

A coluna Política & Cultura é um espaço para o exercício da livre expressão intelectual de um monitor independente do universo humano. Um homem que pensa e dialoga com seu tempo, seu espaço, sua gente, em suas múltiplas linguagens, em suas diversas plataformas, trocando experiências, já que entendemos ser o conhecimento um construto coletivo, rico e belo, pois diverso. Convidamos a todos para navegarem nesse novo paradigma de espaço/tempo onde a distância se torna um mero instante entre o silêncio e a palavra. E desde já, agradecemos aos nossos leitores pela crescente interação com esse nosso espaço plural de liberdade e co-responsabilidade.

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