RTV BRASIL seu guia de notícias online

JEQUIÉ, 120 ANOS! A história de teu povo é tua grandeza

JEQUIÉ, 120 ANOS! A história de teu povo é tua grandeza

Falar sobre nossa terra é falar sobre nós mesmos e nosso olhar ante o mundo. Quero aqui, embebido dos mestres historiadores que me antecederam em seus escritos históricos, sobremaneira o professor Emerson Pinto de Araújo, abordar um pouco sobre nossa história. 

No dia 25 de outubro de 2017 Jequié completa 120 de existência. Eu, Wellington Gonçalves Nery, filho da permissiva América Latina, do Brasil profundo, do Nordeste resiliente, da Bahia interior, e com muito orgulho e dignidade, filho de Jequié, terra onde a caatinga e a mata são limítrofes, onde o amor e a dor calam fundo a alma sertaneja banhada pelo Rio de Contas, em parcas linhas aqui escritas quero trazer o tema a lume. Nós jequieenses somos a própria contradição. Somos a própria impossibilidade. Mas aqui estamos, existindo, resistindo, pelejando pela vida. 

JEQUIÉ ONTEM

Àquela época ninguém ousaria imaginar que o território primitivamente denominado Fazenda Borda tornar-se-ia esse belo, amado e pujante Município de Jequié. Registra a história que um dos inconfidentes de 1789, José de Sá Bittencourt, natural de Caeté, então província de Minas Gerais, bacharel em ciências naturais pela Universidade de Coimbra, refugiou-se na Bahia, onde, graças as suas qualidades intelectuais e espírito empreendedor, assumiu a direção da Inspetoria de Minas no Estado. José de Sá Bittencourt então foi incumbido de abrir uma estrada ligando Camamu a Monte Alto, quando veio a conhecer a região onde hoje se localiza o Município de Jequié, que possuía, além de matas inexploradas, algodão em estado nativo e maniçoba.

Sá Bittencourt adquiriu, nessa época, parte das terras, de sociedade com um irmão e mais tarde, como prêmio aos serviços prestados na direção da Inspetoria, foi-lhe doada uma sesmaria. Da junção de todas essas terras surgiu a Fazenda Borda da Mata, onde ele mandou construir um grande sobrado, a três léguas da atual cidade de Jequié. Nos idos de 1813, Sá Bittencourt regressou a Caeté, onde faleceu em 1828. A Fazenda Borda da Mata, por essa época, tinha suas terras espalhadas por Camamu, Ipiaú, Jequié, Jaguaquara, Maracás e Boa Nova. Quando dividida pelos herdeiros, coube a José de Sá Bittencourt e Câmara a Fazenda Jequié ou Barra do Jequié, à margem do Rio das Contas.

Alguns anos depois, Joaquim Fernandes da Silva, que adquirira de Bittencourt e Câmara a Fazenda Barra do Jequié, dá novo impulso ao povoado, abrindo estradas, loteando e vendendo terras da fazenda. Em 1880 foi criado o distrito e já em março de 1890 funcionava, na sacristia da igreja existente no mesmo, a Junta de Alistamento Eleitoral. Em 29 de abril de 1894, era empossado Antônio de Souza Brito Gondim, seu primeiro administrador. 

FORMAÇÃO ADMINISTRATIVA

Com a divisão administrativa de 1933, passou a compor-se de 7 distritos: Jequié, Baixão, Aiquara, Boaçu, Itagi, Rio Branco (mais tarde Itajuru) e Jitaúna. A Lei Estadual N.° 628, de 30 de dezembro de 1953, reformulou administrativamente o Município, acrescentando-lhe os distritos de Itaibó e Oriente Novo. Contudo, perdeu, por força das Leis Estaduais Nsº. 1.352, de 10 de dezembro de 1960, 1.588, de 22 de dezembro de 1961, e 1.671, de 12 de abril de 1962, os distritos de Itagi, Jitaúna e Aiquara, elevados à categoria de Município. O Município de Jequié, posteriormente, ficou composto dos seguintes distritos: Jequié (sede), Baixão, Boaçu, Itaibó, Itajuru e Oriente Novo.

JEQUIÉ HOJE

O Município de Jequié é o principal centro comercial, industrial, prestador de serviços e agropecuário da microrregião que engloba 26 municípios (Aiquara, Amargosa, Apuarema, Brejões, Cravolândia, Irajuba, Iramaia, Itagi, Itaquara, Itiruçu, Jaguaquara, Jequié, Jitaúna, Jiquiriçá, Lafaiete Coutinho, Laje, Lajedo do Tabocal, Maracás, Marcionílio Souza, Milagres, Mutuípe, Nova Itarana, Planaltino, Santa Inês, São Miguel das Matas e Ubaíra).

Jequié está situada no interior do Estado da Bahia, na Mesorregião do Centro-Sul, distante 365 km de Salvador. Jequié tem mais de 3.000 km², possuindo os seguintes distritos: Florestal, Itaibó, Boaçu, Itajuru, Monte Branco, Baixão, Oriente Novo e Barra Avenida. Sua sede também está dividida em muitos bairros e loteamentos, entre eles estão: Jequiezinho, Mandacaru, São Luiz, Campo do América, Joaquim Romão, Cidade Nova, Jardim Alvorada, Jardim Eldorado, Vila Rodoviária, Km 3 e Km 4, Alto da Bela Vista, Urbis I, II, III e IV, São José, Pompílio Sampaio, São Judas Tadeu, Parque das Algarobas, Mirassol, Tropical, Itaigara, Brasil Novo, Vovó Camila, Amaralina, Prodecor, Zimbrune, Baixa do Bonfim, Barro Preto, Sol Nascente, Curral Novo, Pau Ferro, Alto do Amor, Posto Manoel Antonio, Inocoop, Vila Vitória. Brinco de Ouro, Água Branca, Brasil Novo.

Hoje somos um município com 162.209 mil habitantes (conforme última estimativa do IBGE), com importância política no cenário estadual (pelo menos em três oportunidades jequieenses ocuparam a governadoria da Bahia), somos polo regional, pois nossa localização geográfica nos favorece a confluência de estradas que ligam o norte ao sul do pais, bem como nosso avanço nos setores de comunicação, serviços, educação, dentre outros, tem propiciado a Jequié uma lenta porém significativa mudança de mentalidade, quando passamos, enquanto sociedade civil organizada, de meros pedintes de favores políticos para a efetiva cobrança de políticas públicas que propicie um real avanço econômico e social para o nosso povo. Entendo eu que a melhor infraestrutura de Jequié é o seu povo. É preciso despertarmos para tornamo-nos gigantes pela própria natureza. 

JEQUIÉ AMANHÃ

A Jequié de amanhã sonha com a pujança econômica e cultural e a igualdade social. Seus filhos mais conscientes querem o pleno desenvolvimento desta nossa amada Cidade Sol. Sua realocação política-administrativa em muito nos ajudaria. Ao deixarmos de sermos alocados política-administrativa na região Sudoeste e sermos realocados na região Sudeste, teríamos firmado um divisor político que nos colocaria novamente numa seara de protagonismo regional na Bahia.

A Jequié de amanhã quer ainda que seus representantes políticos lutem e conquistem uma política econômica e social que contemple a geração de emprego e renda para nossos munícipes. Que vicejem um firme combate ao tráfico de drogas e a violência crescente por ele alimentado.

Nós jequieenses natos ou de coração, buscamos ainda um convívio social mais harmônico em nosso trânsito, hoje caótico e assassino, além de logradouros públicos onde o prazer de um bom papo e o frescor de novas ideias possa florescer livremente como é da natureza de quem nasce nesse nosso amado rincão.

Não queremos ampliação de presídios, queremos mais espaços e ações culturais. Não queremos puxadinhos de clínicas ou reformas de hospitais, queremos um novo Hospital de Base. Queremos a revitalização do Rio das Contas. Um real banho de asfalto nas vias da cidade. Queremos pontes que nos unam e não muros que nos segregam. Queremos justiça e não justiçamento. Queremos universidade cada vez mais forte e autônoma.  Queremos paz, amor, cultura, trabalho, educação, saúde, segurança, equilíbrio e bem-estar. Queremos liberdade e co-responsabilidade. E que assim seja, pois aqui nós estaremos lutando pelo que acreditamos valer à pena para que a alma não se apequene. Parabéns Jequié, em 120 anos, a história de teu povo tem sido tua grandeza.

*Wellington Gonçalves Nery é jornalista, professor, poeta, escritor e servidor público estadual. Bacharel em Comunicação Social – Jornalismo. Pós-Graduado em Metodologia do Ensino Superior. Pós-Graduado em Comunicação em Saúde. Pós-Graduado em Gestão de Pessoas. Começou sua vida profissional na área de Comunicação Social atuando como assessor de comunicação na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. Ainda no Rio de janeiro atuou ainda na agência de comunicação Monte Castelo Ideias. Ao retornar para Jequié atuou como jornalista na Assessoria de Comunicação da Prefeitura Municipal de Jequié.  Como professor ministrou as disciplinas História, Filosofia, Sociologia e Jornalismo Escolar, no Ensino Fundamental e Médio do Colégio Estadual Luiz Navarro de Brito. Foi diretor de Comunicação Social da Prefeitura Municipal de Jequié. Foi ainda assessor de Comunicação, membro da Comissão Própria de Avaliação e professor da Faculdade de Tecnologia e Ciências quando lecionou nos cursos de Administração as disciplinas Comunicação Gerencial e Comunicação Publicitária; fundador do curso de Comunicação Social - Jornalismo e Publicidade e Propaganda onde ministrou as disciplinas Introdução ao Estudo da Comunicação, Comunicação Comparada e Teoria do Jornalismo e no curso de Enfermagem ministrou as disciplinas Informática Aplicada à Saúde, Bioinformática, Metodologia da Pesquisa I, Trabalho Interdisciplinar Dirigido II, Trabalho Interdisciplinar Dirigido IV, Liderança e Empreendedorismo e Pesquisa Orientada II.

Foi atleta de Futsal em Jequié e diretor presidente do Grêmio Estudantil do CEMS. Foi assessor de imprensa da Campanha Social A vida tem a cor que a gente pinta! Promovida pela FTC e pela UESB. Foi assessor técnico do Grupo Ecológico Rio das Contas. Foi Coordenador de Comunicação do Instituto Brasileiro do Agronegócio Caprino e Ovino. Foi assessor de Imprensa da Câmara de Comércio e Indústria Brasil Nordeste República Democrática do Congo. Foi conselheiro do Conselho Comunitário de Jequié e do Conselho de Cultura de Jequié. Foi vice presidente da Comissão do Conselho Comunitário de Jequié Pró Criação da UNERC. Foi idealizador, editor e colunista da Revista Contexto Regional. Promoveu e coordenou o I Concurso Literário Jornalista Wellington Nery e a I Semana Cultural do Colégio Estadual Luiz Navarro de Brito. Foi professor da disciplina Comunicação em Saúde no curso de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da UESB. Foi membro e coordenador da Defesa Civil de Jequié. Foi diretor do Diário Oficial da Câmara Municipal de Jequié. Foi secretário Municipal de Relações Institucionais e Comunicação Social de Jequié. 

Como jornalista atuou no Jornal A Tarde, editou o Blog Jornalista Nery e foi colunista da Revista Jequié Repórter, Jornal de Jequié, Revista Contexto Regional, Site Jequié Total, Blog Falando na Lata, Informativo dos Supermercados Cardoso, Jornal Novos Tempos, Jornal Outro Papo, Jornal O Ecológico, Livre Arbítrio, Jornal A Folha, Revista Perfil, Revista Atual e Facha News, dentre outros veículos impressos e eletrônicos.

É consultor de Comunicação Social e de Marketing Político. É vice presidente da Associação Jequieense de Imprensa. Coordenador da Assessoria de Comunicação da UESB – Campus de Jequié. Membro do Conselho Universitário, do Conselho de Campus, da Comissão Orçamentária e da Comissão Estatuinte da UESB. Pesquisador do Grupo de Pesquisa Política, Planejamento e Gestão em Saúde (PPGS) da UESB. Filiado ao AFUS – Sindicato dos Servidores Técnicos e Analistas da UESB. Filiado ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais da Bahia (Sinjorba), a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e a Federação Internacional de Jornalistas (FIJ).

 É jornalista da Revista Eletrônica da UESB. É colunista da Revista Bahia 3 – impressa e eletrônica e do portal RTV Brasil.

A coluna Singular & Plural é um espaço para o exercício da livre expressão intelectual de um monitor independente do universo humano. Um homem que pensa e dialoga com seu tempo, seu espaço, sua gente, em suas múltiplas linguagens, em suas diversas plataformas, trocando experiências, já que entendemos ser o conhecimento um construto coletivo, rico e belo, pois diverso. Convidamos a todos para navegarem nesse novo paradigma de espaço/tempo onde a distância se torna um mero instante entre o silêncio e a palavra. E desde já, agradecemos aos nossos leitores pela crescente interação com esse nosso espaço plural de liberdade e co-responsabilidade.

Comentários:

© 2017 - Copyrights RTV BRASIL. Todos os direitos reservados