RTV BRASIL seu guia de notícias online

ONDE ESTÁ O NOVO? Velhas práticas não tecem um novo amanhã

ONDE ESTÁ O NOVO? Velhas práticas não tecem um novo amanhã

Na política, assim como na vida, nada se renova com práticas arcaicas. Velhas ações, carcomidas pelos vícios e vicissitudes tão humanos, não nos conduzem a um tempo novo. Em Jequié, na Bahia, assim como no resto do país, e mesmo mundo afora, tenho acompanhado um fenômeno sofista: apresentação de “novos” postulantes a cargos políticos com perfis arcaicos. Tais “nomes novos” são comercializados como os salvadores da pátria. Marqueteiros os vendem como lã de aço: têm mil e uma utilidades. Agora mil, desde a chegada da TV digital. Contudo, suas práticas são as mesmas dos velhos políticos carreiristas tão comuns aqui instados no tupiniquim desde sempre.

Segundo o que dizia John Lennon, “pense globalmente e atue localmente”, vou aqui novamente reporta-me a minha Jequié para exemplificar o que enxergo acontecendo mundo afora. Vejo alguns dos ditos “novos nomes” pleitearem nosso voto nas eleições vindouras com tais práticas e ora os indago: onde estiveram na última década (para não ir muito além no recorte temporal) quando dos grandes pleitos da comunidade jequieense (geração de emprego e renda para nossa população, implantação do Curso de Medicina na UESB, destinação de mais verbas para UESB, criação da UNERC, criação de um Hospital de Base, funcionamento do aeroporto, revitalização dos Rio de Contas e do Rio Jequieezinho, mais juízes para nossa comarca, dizer não ao pacote de maldades do governo estadual contra os servidores civis, dizer não aos desmandos do governo federal e suas nefastas reformas, o Fora Tânia! E agora o não a Contribuição Sobre a Iluminação Pública - Cosip e por aí vai) que foram sufocados ou conquistados com muita luta? Engraçado, não vi esses senhores em nenhum destes momentos de luta de nossa sociedade nos últimos 10 anos.

Eu, Wellington NERY, cidadão jequieense, jornalista e professor, estive e estou e sempre estarei presente em todos essas lutas coletivas por políticas públicas que contemplem a coletividade de nossa sociedade. E vocês, senhores, onde estiveram? Por isso lhes indago postulantes a mandatos nas próximas eleições em 2018: O que fizeram pelo coletivo em Jequié para pleitearem tal função pública? O que representam em nosso município? A quem estão atrelados política e economicamente? Quais são e/ou foram suas práticas quando instados em função pública? E aí? Pensem comigo quais seriam as respostas desses senhores, caros leitores. Calma, senhores, não sou candidato a nada! Agora se eu cidadão comum estive presente, por que vocês se omitiram em tais pleitos? 

Quanto aos velhos nomes postulantes de sempre já sabemos de suas práticas e eu as desaprovo. Mas os tais ditos “nomes novos” com suas práticas arcaicas também não me representa ao utilizarem, por exemplo, a máquina pública (seja ela municipal, estadual ou federal) para seu objetivo eleitoral. Vejo que ainda predomina a velha prática politiqueira de distribuição de empregos precários, RTIs aos borbotões aos apaziguados e “mochilas” de favores escusos aos financiadores de campanhas num verdadeiro toma lá dá cá que enojam os homens e mulheres de bem. Só os de bem, pois os demais chafurdam nesse lamaçal numa ardilosa orgia de interesses inconfessáveis que historicamente nos pune e nos coloca na condição de civilização quase medieval. 

E volto a perguntar, agora direcionando a nós jequieenses, cidadãos comuns, realmente queremos alguém com novas práticas? Queremos alguém com independência e coragem para peitar o status quo e lutar por políticas públicas perenes de longo alcance social? Estamos mobilizados socialmente, Jequié? Como temos votado historicamente: com consciência cidadã ou na base do toma lá dá cá? Estamos reelegendo que tem práticas execráveis em seu mandato? Estamos votando em condenados pela Justiça? Realmente queremos mudanças ou queremos o mais do mesmo conforme nossos mesquinhos interesses pessoais? Seja aqui ou alhures, somos nós os coresponsáveis por esse estágio de nossa sociedade. 

Tudo aqui dito, infelizmente, cabe à Bahia, ao Brasil e parte significativa dos países desse nosso mundinho tacanho.  Cabe também em nossas instituições, não é UESB!? Por essas e outras reflexões que tenho sido chamado de “Boca Maldita”, o novo Gregório de Matos, por muitos nos corredores da vida. Que honra! Ficam as indagações a todos nós. Sei que tudo poderia, pode e poderá um dia ser diferente. Depende de nós. De cada um de nós. Somente de nós. Mudemos nossas práticas e mudaremos o mundo. E uma última reflexão tomada do filósofo Aristóteles: “a esperança é o sonho do homem acordado”. Não matemos a nossa esperança, por mais difícil que seja ainda acreditar. Nosso amanhã construiremos hoje. 

A coluna Política & Cultura é um espaço para o exercício da livre expressão intelectual de um monitor independente do universo humano. Um homem que pensa e dialoga com seu tempo, seu espaço, sua gente, em suas múltiplas linguagens, em suas diversas plataformas, trocando experiências, já que entendemos ser o conhecimento um construto coletivo, rico e belo, pois diverso. Convidamos a todos para navegarem nesse novo paradigma de espaço/tempo onde a distância se torna um mero instante entre o silêncio e a palavra. E desde já, agradecemos aos nossos leitores pela crescente interação com esse nosso espaço plural de liberdade e co-responsabilidade.

Comentários:

© 2017 - Copyrights RTV BRASIL. Todos os direitos reservados