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Ordem e caos - O dilema do homem contemporâneo

Ordem e caos - O dilema do homem contemporâneo

O mundo social, assim como o natural, é regido por duas forças antagônicas que se manifestam em múltiplas faces e transformam a humanidade e sua geopolítica histórica: a ordem e o caos. Entendemos por ordem a disposição conveniente dos meios para se obter os fins. Regra ou lei estabelecida em consonância a uma dada realidade. E por caos, grande confusão ou desordem. Ruptura e confronto. O vazio obscuro e ilimitado que antecede uma revolução, uma gigantesca e abrupta transformação em dissonância a uma dada realidade estabelecida.

A ordem modifica o homem, a sociedade e até mesmo a natureza de modo lento e gradual. Modificam-se detalhes preciosos e retém o fundamental e imprescindível. Joga-se fora o arcaico, o obsoleto, mas guardam-se o histórico, o memorável, as raízes. Avança em passos lentos.

o caos implode um dado status quo para estabelecer outra realidade humana, social e natural de maneira completamente inédita, sem precedentes. Dar-se um novo nascimento numa perspectiva inusitada. Cai tudo por terra, movem-se montanhas e pilares, não resta pedra-sobre-pedra. O novo irrompe sem concessões ou acomodações. Assim acontece na natureza, no homem e em seu meio político e social. Tudo novo e agora.

Se para o filósofo, historiador e escritor estadunidense Will Durant “a civilização nasce com a ordem, cresce com a liberdade e morre no caos”, o homem contemporâneo depara-se com problemas e conflitos herdados ao longo desses últimos dois séculos (XX e XXI) que ora se aglutinam e tomam forma de iminência erupção. 

Já não podemos evitar, postergar ou até mesmo ignorar tais realidades, pois as mesmas pululam em obviedades em nossa tez: fracasso no nosso convívio com o mundo social e natural; falência de nossas sociedades, de nossas instituições e de nossos contratos sociais e a necessidade crescente de estabelecermos uma postura humanística pautada na alteridade, na irmandade e na co-responsabilidade e interdependência. Como dizia o escritor português José Saramago: “o caos é uma ordem por decifrar”. Que o façamos logo!

Vivemos um momento limiar entre essas duas forças: a ordem e o caos. Seremos agentes, pela ação ou omissão, no tênue equilíbrio entre essas duas forças que nos coloca em xeque-mate ante ao nosso processo evolutivo e, conseqüentemente, a nossa própria permanência e existência terrena.

Evoluiremos e harmonizaremos nossas relações política e sociais a ponto de respeitamos uns aos outros e convivermos proativamente irmanados rumo ao desenvolvimento existencial pleno, não mais na condição de predadores ditos “seres superiores” às demais espécies vivas?

Provocaremos a transformação necessária para uma nova realidade humana em compasso com os clamores da natureza e das sociedades? Teremos condições de realizarmos tamanha façanha ou seremos algozes de nosso mundo, de nossa própria existência? Ficam as indagações para refletirmos e agirmos aqui e agora, pois do nosso agir e/ou omitir descortinar-se-á o nosso amanhã, queiramos ou não!

Por fim, fico com o filósofo, filólogo, crítico cultural, poeta e compositor alemão Friedrich Nietzsche quando disse que “é preciso ter um caos dentro de si para dar à luz uma estrela cintilante”.

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